2.JPG

"Não é que meus dias sejam fáceis, mas é que tenho uma fé bonita que ilumina o dia inteiro; E me faz crer que acima de tudo sempre existirá um Deus que tem o poder de fazer todos os dias abençoados.”

Tereza Barreto é arte-educadora, com formação em Letras - Português/ Inglês. É autora dos livros Milagres Bordados, Café com Bordado, e Fé, Lamparina e Querosene. Coordenou o Projeto de Extensão Universitária da CAC/PREAC - UNICAMP com oficinas motivacionais no período de 2013 a 2017. Ministrou workshops de motivação e bordado pelo Brasil inteiro, além de incentivar e coordenar vários projetos dentro da Universidade Estadual de Campinas. 

Coordenou e organizou o 1º Seminário Nacional de Bordado e suas Histórias na Unicamp, em 2014. É autora do projeto "Oficina Bola da Felicidade (patente registrada), que já foi realizado em quinze estados brasileiros. Também é autora do projeto Vida e Motivação. realizado com pessoas depressivas em 2004. 

Monografia sobre Depressão

Em 2005, Tereza Barreto publicou um importante trabalho na UNICAMP, sob orientação do Prof. Dr. Jonas de Araújo Romualdo. A monografia sobre depressão se tornou o ponto de partida do trabalho e dedicação de Tereza Barreto na busca por respostas para esse problema que atinge tantas pessoas. A dissertação pode ser baixada para leitura gratuitamente na sua integridade. Leia a introdução abaixo e faça o download da versão completa no botão abaixo. 

Boa Leitura! 

A depressão é uma doença de múltiplos sintomas psíquicos que, definida por Freud entre 1892 e 1895 em “ Neuroses Atuais” como evasão do combustível psíquico, falta da libido pelo “buraco” ou ferida na malha representativa do Eu, evidenciando-se assim a primeira descrição da patologia depressiva que, nas suas manifestações.

(Análise da Depressão nos Discursos Jornalísticos e Informativos das Revistas Veja e Época)

TEREZINHA APARECIDA BARRETO COSTA

Orientador: Prof. Dr. JONAS DE ARAUJO ROMUALDO

Campinas – 2005

1.1 – INTRODUÇÃO

A depressão é uma doença de múltiplos sintomas psíquicos que, definida por Freud entre 1892 e 1895 em “ Neuroses Atuais” como evasão do combustível psíquico, falta da libido pelo “buraco” ou ferida na malha representativa do Eu, evidenciando-se assim a primeira descrição da patologia depressiva que, nas suas manifestações mais agudas assemelhança-se a hibernação dos animais, numa fuga extrema dos estímulos sensórios, e a decorrente diminuição dos movimentos mergulhando-se em prostração, letargia e, em longos períodos de sono.  Na atualidade para classificar um indivíduo como portador de um distúrbio mental e a doença psíquica que o paciente sofre, psiquiatras e pesquisadores da área de saúde mental de quase todos os países adotam um manual proposto pela Associação Psiquiátrica Americana, conhecido hoje, como DSM-III – R ( Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, III Edition, Revised, 1987: Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais,3ªedição,revista,1987). O manual contém listas específicas e detalhadas dos sintomas referentes às alterações psíquicas conhecidas. Permite assim, por exemplo, que o paciente seja classificado como portador de um quadro de “síndrome depressiva maior”.


Segundo o DSM-III-R, o portador “dessa síndrome” apresenta pelo menos cinco dos seguintes sintomas quase todos os dias: humor deprimido; interesse ou prazer acentuadamente diminuídos em todas as atividades; perda ou ganho significativo de peso quando fora de dieta, ou diminuição ou aumento de apetite; insônia ou sono exagerado; agitação ou lentidão das idéias e da movimentação física; fadiga ou perda de energia; sensações de inutilidade ou culpa excessiva; diminuição da capacidade de pensar ou de concentrar-se e indecisão; pensamentos freqüentes sobre morte ou tentativa de suicídio.


A incidência da “depressão maior” na população é de 3 a 5%. O risco ao longo da vida é de 3 a 12% para os homens e de 20 a 26% para as mulheres, maior para indivíduos que têm um parente em primeiro grau com diagnóstico de “depressão maior “ e distúrbio bipolar. A idade média de aparecimento situa-se entre 20 e os 30 anos, embora a incidência de depressão pareça estar aumentando em crianças e adolescentes nos últimos anos.


Um dos Subtipos da “depressão maior” é o melancólico, equivalente à antiga classificação de “depressão endógena” ou depressão “ de dentro “, pois se originaria de “dentro”, onde uma predisposição hereditária seria um correlato indiscutível.


O tratamento do quadro de “depressão maior“, se não tratado, tende a evoluir espontaneamente entre 6 a 8 meses – considerando que nenhuma tentativa de suicídio tivesse êxito. Por outro lado, o afastamento progressivo dos atos da vida, além prejudicar todas as áreas de atuação, traz perdas irrecuperáveis para o paciente facilitando contínuas recaídas. Nesse caso só a abordagem psicoterápica não produz resultados, pelo fato do paciente encontrar-se no auge da doença e completamente alheio ao meio que o cerca, necessitando assim de tratamento medicamentoso, com doses específicas dos antidepressivos diagnosticados pelos médicos psiquiatras.


Entre os anos de 1999 e 2004, as revistas Época e Veja publicaram em suas seções Saúde nove reportagens tendo como tema a depressão (1). Escolhemos como corpus para a análise as reportagens especiais publicadas na revista Época nos dias 05 de maio de 2003 e 10 de maio de 2004, intituladas de A doença da alma e os Herdeiros do prozac. Nossa hipótese inicial é a de que certo discurso sobre depressão é formulado, neste texto, atrelado às significações construídas para a doença a partir da hipótese que formulamos da Análise do Discurso levando-se em conta a importância conferida à medicina psiquiátrica.